O Purgatório

               O Purgatório
 
 
Ao nos ensinar sobre esta matéria, diz o nosso Catecismo:
“Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, estão certos da sua salvação eterna, todavia sofrem uma purificação após a morte, afim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu.” (CIC, §1030)
Logo, as almas do Purgatório “estão certas da sua salvação eterna”, e isto lhes dá grande paz e alegria. Falando sobre isso, disse o Papa João Paulo II: “Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz , de certeza, de alegria, porque sabe que pertence para sempre ao seu Deus.” (Alocução de 03 de julho de 1991; LR n. 27 de 07/7/91).
O Catecismo ensina que:
“A Igreja chama de purgatório esta purificação final dos eleitos, purificação esta que é totalmente diversa da punição dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório principalmente nos Concílios de Florença (1438-1445) e de Trento (1545-1563)”. (§ 1031)
Portanto, o sofrimento purificador do purgatório é diferente daquele do inferno.
“Este ensinamento baseia-se também sobre a prática da oração pelos defuntos de que já fala a Escritura Sagrada: ‘Eis porque Judas Macabeus mandou oferecer este sacrifício expiatório em prol dos mortos, a fim de que fossem purificados  de seu pecado’ (2Mac 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em favor dos mesmos, particularmente o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos” (§1032).
O que é o Purgatório?
São Gregório Magno (540-604), Papa e Doutor da Igreja, já no século VI ensinava a possibilidade do perdão na outra vida:
“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro.” (CIC, §1031).
O grande doutor da Igreja, São Francisco de Sales (1567-1655), tem um ensinamento maravilhoso sobre o purgatório. Ele ensinava, já na Idade Média, que é preciso tirar mais consolação do que temor do pensamento do Purgatório. Eis o que ele nos diz:
  • – As almas ali vivem uma contínua união com Deus.
  • – Estão perfeitamente conformadas com a vontade de Deus. Só querem o que Deus quer. Se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus.
  • – Purificam-se voluntariamente, amorosamente, porque assim o quer Deus.
  • – Querem permanecer na forma que agradar a Deus e por todo o tempo que for da vontade Dele.
  • – São invencíveis na prova e não podem ter um movimento sequer de impaciência, nem cometer qualquer imperfeição.
  • – Amam mais a Deus do que a si próprias, com amor simples, puro e desinteressado.
  • – São consoladas pelos anjos.
  • – Estão certas da sua salvação, com uma esperança inigualável.
  • – As suas amarguras são aliviadas por uma paz profunda.
10- Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração inefável ternura, a caridade que é     mais forte do que a morte e mais poderosa que o inferno.
11- O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá existem são chamas  de amor.”
Fonte: Prof. Felipe Aquino (Doutrina e Teologia) e Padre Paulo Ricardo
https://blog.cancaonova.com/felipeaquino/   https://padrepauloricardo.org

 

                      O Manuscrito do Purgatório: Mons. Ascânio Brandão
                                                                                            Verdadeiras e Falsas Aparições.
Há verdadeiras e falsas aparições. Estas muito mais frequentes do que aquelas. Como distingui-las? Há sinais pelos quais facilmente podemos nos livrar de enganos e afastarmos o perigo da ilusão diabólica. Devemos imitar sempre a reserva prudente da Santa Igreja nesta matéria. A Igreja não admite revelação alguma se não for devidamente comprovada, e ainda assim, não obriga os fiéis a nela acreditar. Ninguém é obrigado a acreditar numa revelação particular por mais provada que tenha sido. Não obstante, depois de bem provadas, seria temerário abusar com uma sistemática atitude de ceticismo, diante do que Santos e homens doutos e equilibrados aceitaram e provaram não haver ilusões.  Diz Bento XVI que podem os fiéis acreditar e podem ser publicadas as revelações particulares para edificação dos fiéis, contanto que sejam aprovadas pela autoridade eclesiástica. O Papa Urbano VIII manda que ao serem publicadas, declare o autor em nada querer se adiantar os juízos da Igreja, e que tais fatos merecem apenas uma fé humana e importam em definição da Santa Madre Igreja. Eis as cautelas com que a Igreja cerca as aparições.
Aparições das almas do purgatório.
Depois de termos mostrado a verdadeira doutrina da Igreja sobre as revelações ou aparições, tratemos das aparições das santas almas. Podem elas aparecer aos homens? Sim, raramente e por permissão de Deus. É uma graça para quem recebeu a aparição e uma graça para a pobre alma, sobretudo quando Deus permite que ela obtenha socorros para se livrar das chamas expiadoras. Deus o permite para excitar a nossa fé na imortalidade da alma e para que compreendamos melhor a sorte das pobres almas e procuremos sufragá-las com mais zelo e caridade. Como distinguir as verdadeiras das falsas aparições de almas do purgatório? Já demos as principais regras deste discernimento segundo a doutrina da Igreja e a teologia. Acrescentemos mais algumas. No século XVII o sábio Cardeal Bona criticou severamente a facilidade e leviandade com que acreditavam muitos em revelações sobrenaturais e deu algumas regras que podem nos esclarecer muito na matéria. Vamos comentá-las:
1ª – Toda aparição desejada ou provacada é suspeita. Ninguém deve desejar ver nem conversar com os mortos, indagar a sorte dos defuntos, mesmo que o faça por motivo de caridade e para rezar por eles. Não se deve desejar aparição alguma de alma do purgatório. Seria temeridade e presunção.
2ª – Se a aparição revela coisas ocultas que seria melhor silenciar sobre elas, faltas alheias, ensina coisas contrárias ao dogma e ao Evangelho, tem horror á água benta, ao crucifixo, etc.., está provado que se trata do demônio.
3ª – As almas do purgatório aparecem geralmente para solicitar orações, recomendar restituições, etc. E feito isto, não voltam mais, a não ser para agradecerem. Se uma aparição se torna importuna dia e noite, ameaça, pertuba a paz de um homem ou de uma família ou comunidade, é sinal certo do demônio.
4ª – Ninguém deve aceitar serviços prestados pelas almas do purgatório que se vem colocar a nossa disposição, morar conosco, etc. É pura ilusão isto ou coisa diabólica.
5ª – Todos os bons teólogos místicos ensinam que as aparições verdadeiras logo de princípio pertubam e assustam, mas depois lançam a alma numa doce paz, aumenta a humildade, excita o amor a Deus e do próximo e produzem um grande desejo de perfeição. Quando alguém começa a se gabar das aparições, mostrar-se digno delas, pertubar-se em vão e encher-se de presunção, irritar quando os superiores não fazem caso das suas visões e desobedecerem, eis um sinal certo de engano.
6ª é mister que as aparições sejam expostas singelamente a um bom diretor, sem exageros nem reticências, nem diminuição da verdade. E depois ficar pelo que ele decidir e obedecê-lo cegamente!
Com estas regras seguras de bons teólogos e autores místicos, não haverá perigo de ilusão. Deus Nosso Senhor na sua misericórdia tem permitido muitas revelações das almas do purgatório. Parece mesmo que são mais numerosas do que qualquer outra. Quanta luz sobre o purgatório não  nos deram por exemplo as revelações de uma Santa Catarina de Genova! Nesta matéria sejamos muito prudentes e criteriosos e não nos afastemos do pensamento da Santa Igreja e das normas que acima vão expostas.
O purgatório nas visões de uma mística canadense.
Ora, usarei o Manuscrito do Purgatório, traduzido do frânces para o português por Mons.
Ascânio Brandão. Quem foi esta mística canadense? Madame Brault, Maria Luiza Richard. Madame Brault tinha contato com as almas do purgatório e como o Santo Cura d´Ars podia dar testemunho da sorte das pobres almas. Dizia ela chorando, num dia de Finados:  Os egoístas da terra se esquecem dos mortos. Como deve ser cruel para as pobres almas do purgatório o abandono dos homens! Dizem que amam os pais e parentes defuntos! Que mentira! Nós que amamos a Deus devemos amar nossos amigos do purgatório todos os dias de nossa vida. Eu quisera ser capaz de sofrer sozinha tudo o que padecem as almas do purgatório para poder libertá-las!
Madame Brault teve muitas visões das almas do purgatório. Elas lhe pediam orações, Missas e sacrifícios. As pessoas que ela via eram desconhecidas ás vezes e fizeram inquéritos rigorosos de datas, lugares e circunstâncias, chegando-se á conclusão da impossibilidade de qualquer mistificação. Eram impressionantes as revelações desta mística. No dia 21 de Dezembro de 1907, na relação que foi obrigada a fazer por escrito ao seu Diretor espiritual, viu ela um Padre no purgatório. Estava revestido de ornamentos sacerdotais e com um cálice todo em fogo.. As mãos pareciam roídas e apareciam até os ossos. Úlceras por todo o corpo e torturas horríveis O Padre estava ali, por tantas vezes ter rezado seu breviário quase sem pensar que falava com Deus e por rotina, e também pela sua pouca preparação e ação de graças muito rápida depois da Santa Missa. Á vista deste tormento, Madame Brault gemeu: << Ó meu Bem Amado, meu Jesus, quero sofrer mais para aliviá-la? Depois vi Jesus se aproximar do Padre e derramar sobre aquelas chagas seu precioso Sangue. As chagas se cicatrizaram e as cadeias do pobre sacerdote caíram. Depois meu Jesus me disse que libertaria aquela alma pelas minhas orações. A faze do padre ficou limpa das úlceras, uma bela estola roxa lhe adornava o pescoço e os paramentos me pareceram mais brilhantes e belos. Jesus me disse que libertaria a alma do sacerdote>>.
No dia de finados de 1908, foi ao cemitério rezar pelos mortos e viu, Madame Brault, muitos mortos que lhe apareciam saindo das sepulturas em queixas doloridas de cortar o coração: Estamos esquecidos de nossos parentes! Não rezam por nós! Nossos amigos nos esqueceram, nos abandonaram!!!
Enfim, seria longo narrar as impressionantes visões do purgatório de Madame Brault, a grande mística de nossos dias. A biografia desta mulher extraordinária foi publicada pelo P. Louis Bouher, antigo pároco da vidente. É a obra Uma mística canadense – Vida extraordinária de Madame Brault.
Dos diálogos podemos retirar várias revelações, mas nos foquemos nas mais importantes,
pois muitos destas eram também sobre a vida pessoal da Mística, para sua edificação e santificação.
As perguntas são feitas por Madame Brault e as respostas são dadas pela Alma do Purgatório.
  • As chaves da prisão do purgatório:
Resposta: Quais são elas? Diz o nosso Senhor Jesus Cristo: A oração, o sofrimento, o sacrifício, ou seja , é tudo isso combinado com boas obras e uma devoção as almas do purgatório.
  • A compaixão da Santíssima Virgem com as almas do purgatório.
A alma diz: A visita de maria nos anima muito, e depois esta boa Mãe nos fala do céu. Enquanto nossos sofrimentos parecem diminuidos. Enquanto a vemos, nossos sofrimentos parecem diminuídos.
São Miguel Arcanjo:
  • Qual é o melhor meio de glorificar São Miguel?
Resposta: – O meio mais eficaz de o glorificar no céu e na terra é recomendar quanto possível a devoção ás almas do purgatório e fazer conhecer a grande missão que Êle tem junto das almas sofredoras. Ele é o encarregado de levá-las do lugar da expiação e introduzí-las depois da satisfação, no céu , morada eterna. Cada vez que uma alma vem aumentar o número dos eleitos, Deus é glorificado por ela e esta glória de certo modo reflete sobre o glorioso ministro do céu. É uma honra para ele apresentar ao Senhor das almas que irão cantar as infinitas misericórdias e unir seu reconhecimento aos dos eleitos por toda eternidade. Eu não posso vos fazer compreender todo amor que o celeste Arcanjo tem por seu divino Mestre, e o amor por sua vez Deus tem por São Miguel e bem como a grande piedade que São Miguel tem de nós. Ele nos dá coragem no sofrimento quando nos fala do céu. Quando Deus o permite, podemos nos comunicar diretamente com o Arcanjo, á maneira dos espíritos e como as almas se comunicam entre si.
  • Como se festeja São Miguel no purgatório?
Resposta: – No dia da sua festa, São Miguel vem ao purgatório e volta para o céu com muitas almas, principalmente as almas que lhe tiveram devoção na terra.
  • Que glória recebe São Miguel da sua festa na terra?
Resposta: – Quando se faz a festa de um santo na terra, ele recebe no céu uma glória acidental. Ainda mesmo que não o festejem na terra, em memória de alguma ação especial heróica que praticou neste mundo, ou da glória que deu a Deus em alguma ocasião, nesta época recebe no céu uma recompensa especial que consiste numa maior glória acidental, junta com a que lhe dão na terra. A glória acidental que recebe o Arcanjo São Miguel é superior á da todos os outros santos, porque esta glória de que vos falo, é proporcionada á grandeza do mérito daquele que a recebe, como também ao valor da ação que mereceu esta recompensa.
  • As promessas feitas em favor daqueles que rezam ao terço de São Miguel Arcanjo são verdadeiras?
Resposta: – As promessas são reais, mas não se deve acreditar que as pessoas que rezam o terço por rotina e sem o procurar com perfeição, sejam logo tiradas do purgatório. Seria um erro. São Miguel faz muito mais ainda do que promete, mas os que estão condenados a um longo purgatório, não os retira assim tão depressa! É verdade que a lembrança da devoção ao Santo Arcanjo alivia muito as almas, mas que sejam de todo libertadas do purgatório, não. Eu que o diga, eu posso bem servir de exemplo! … A libertação imediata só aterão as pessoas que trabalharam corajosamente para a sua perfeição, e que tiveram pouca coisa a expiar no purgatório. Nós vemos São Miguel como se veêm os Anjos, eles não têm corpo. São Miguel vem ao purgatório buscar todas as almas que já estão purificadas porque é ele quem as conduz ao céu. Sim, é verdade, ele está entre os Serafins, como me disse Monsenhor. É o primeiro Anjo do céu. Nossos Anjos da Guarda vêm também nos ver, mas São Miguel é muito mais belo do que todos eles! Quanto á Santíssima Virgem, nós vemos com o seu corpo. Ela vem ao purgatório nas suas festas e volta para o céu com muitas almas. Enquanto Ela está conosco, não sofremos. São
Miguel a acompanha, mas enquanto São Miguel está só, nós sofremos como sempre.
  • Conhecei-vos umas ás outras no purgatório?
Resposta: – As almas se comunicam entre si quando Deus o permite, porém á maneira das almas, sem palavras… Sim é verdade que eu vos falo, mas sois um espírito? Havíeis de me compreender se eu não pronunciasse as palavras? Para mim, pois , que Deus o permitiu, eu vos compreendo sem que pronuncieis palavras com os lábios. Há entretanto comunicações de almas assim quando vos vem um bom pensamento pelo vosso Anjo da Guarda, ou por Deus mesmo. Eis a linguagem das almas.
  • As almas podem alguma vez se enganarem?
Resposta: – Sim, mas não quanto ás coisas que existem, só quanto ao futuro. Pode acontecer, por exemplo, que Deus na sua justiça queira castigar um reino, uma província, uma pessoa, é uma intenção que Ele manifestou. Todavia, se alguma pessoa deste reino, desta província, pela oração ou por outros meios, desarma a Divina Justiça, Deus fará a graça, concederá, a graça ou diminuirá o castigo, segundo as previsões da sua infinita sabedoria. Muitas vezes permite que os grandes acontecimentos sejam preditos antes ou os dá a conhecer a algumas almas a fim de que elas previnam e afastem o castigo. A misericórddia de Deus é tão grande, que Ele não castiga senão em caso extremo.
  • No purgatório se ama?
Resposta: – Sim, mas é um amor de reparação, e si nós tivéssemos amado a Deus como deveríamos na terra, não seríamos tão numerosas e não haveria tantas almas no lugar da expiação!
  • O Fogo do purgatório é um fogo como o da terra?
Resposta: – Sim, com esta diferença: que o fogo do purgatório é uma purificação da justiça divina de Deus e o da terra é bem doce comparado com o do purgatório. É uma sombra junto dos grandes brazeiros da Divina Justiça.
  • Como uma alma pode se queimar?
Resposta: – Por uma justa permissão de Deus. A alma foi verdadeira culpada, pois o corpo nada fez que obedêce-la (que malícia tem um corpo morto?) ; a alma sofre como si tivesse corpo para sofrer.
  • Dizei-me o que se passa na agonia e depois? A alma encontra a luz na trevas? Sob que forma anuncia a sentença?
Resposta: – Eu não tive agonia, como bem sabeis, mas eu posso vos dizer que no último momento decisivo, o demônio emprega toda sua raiva em torno dos agonizantes. Deus, para dar mais mérito ás almas, permite que elas sofram as últimas provas nestes últimos combates, sobretudo as almas fortes e generosas, a fim deu que tenham um lugar mais belo no céu. Muitas vezes, no fim da vida, naqueles transes da morte, naquelas lutas terríveis contra o anjo das trevas, saem elas vitoriosas. Deus não permite que uma alma que lhe foi dedicada na vida, pereça nestes últimos momentos. As pessoas que amaram a Santíssima Virgem e a invocaram toda vida, recebem dela muitas graças nas últimas lutas. Acontece o mesmo para as que foram devotas de São José e de São Miguel, ou de algum santo. Nesta hora, então, é que a gente é muito feliz de ter um intercessor junto de Deus neste momento penoso! Há almas que morrem tranquilas, sem nada experimentarem do que acabo de vos dizer. Deus tem seus desígnios em tudo. Faz ou permite tudo para o bem particular de cada um. Como hei de vos descrever o que se passa depois da agonia? Não foi possível compreender o que se passa então. Vou procurar explicar da melhor maneira que puder. A alma, ao deixar o corpo, se encontra toda tomada, toda investida, se assim posso me exprimir, de Deus. Ela se encontra numa tal claridade, que num instante percebe toda a sua vida e o que ela mereceu. É em meio desta visão clara que se pronuncia a sentença. Se é uma alma culpada, e por conseguinte merece o purgatório como eu, ela fica de tal maneira esmagada sob o peso das suas faltas que ficam para apagar, que ela por si mesma se atira no purgatório. A alma vê o bom Deus, mas está aniquilada na sua presença. É só então que a gente compreende o bom Deus, o seu grande amor pelas almas, e que desgraça é o pecado aos olhos da Majestade Divina! Eu vi também meu Anjo da Guarda. Para vos dar a entender como é que São Miguel leva as almas ao purgatório, porque uma alma não se leva, eu vos digo que é neste sentido que ele está presente na execução da sentença. Tudo quanto se passa no outro mundo é um mistério para o vosso!
  • Dizei-me em que consiste a verdadeira santidade?
Resposta: – Já o sabeis, mas já que desejais, vou repetir o que já foi dito diversas vezes. A verdadeira santidade consiste em se renunciar de manhã á noite, viver de sacrifício. Saber pôr de lado a toda hora o <<eu>>  humano, deixar Deus trabalhe como queira em nós. Receber as graças que Ele nos dá com uma profunda humildade, reconhecendo-se a presença de Deus. Fazer todas as ações sob o divino olhar e não procurar outra testemunha para os próprios esforços. Ter a Deus como única recompensa. E todas as coisas que eu já vos disse. Eis a santidade que Jesus exige e quer das almas que querem viver só para Ele. O resto não é mais que ilusão.
Certas almas fazem seu purgatório na terra pelo sofrimento, outras por amor, porque o amor tem também um martírio. A alma que procura amar verdadeiramente a Jesus, acha que apesar dos seus esforços, ela não O ama na medida dos seus desejos. Isto é para a alma um martírio perpétuo, causado únicamente pelo amor, e não é uma martírio sem grandes dores! É como já vos disse, um pouco daquele estado da alma do purgatório que se atira incessamente para Deus, seu único Desejo, e se vê repelida porque sua expiação não está acabada!
– O dia e a oitava dos Defuntos trazem uma alegria no purgatório e se livram muitas almas?
Resposta: – No dia dos Mortos muitas almas deixam o lugar da expiação para o céu, e por uma grande graça do Bom Deus, só neste dia, todas as almas sofredoras, sem exeção, têm parte nas orações públicas da Santa Igreja, até mesmo as do Grande Purgatório. Entretanto, o alívio de cada alma é proporcionado ao seu mérito. Umas recebem mais, outras menos. Entretanto, todas aproveitam esta graça exepcional. Muitas almas, pobres almas, só recebem este único alívio pela justiça de Deus, durante os longos anos que passam no purgatório.
  • Que distância há entre a terra que habitamos e o purgatório?
Resposta: – O purgatório está no centro do globo. A terra mesma não é um purgatório?
Entre as pessoas que nela moram, umas aí fazem o seu purgatório inteiramente pela penitência voluntária ou aceita. Estas, depois da morte, vão diretamente para o céu. Outras, começam o purgatório na terra, porque a terra é um lugar de sofrimento, mas estas almas como não têm bastante generosidade, vão acabar o seu purgatório da terra no purgatório real.
  • Onde está o purgatório?
Resposta: – No centro da terra próximo do inferno. As almas estão aí num lugar restrito, comparado á multidão que aí se encontra, pois são milhares e milhares de almas. Entretanto, que lugar ocupa uma alma? Cada dia aí chegam milhares e milhares, e a maior parte dos trinta aos quarenta anos. Eu vos digo segundo os cálculos da terra, porque aqui é outra coisa diferente. Ah! si soubessem e pensassem o que é o purgatório, e si soubessem que amargura pensar que a gente aqui está por própria culpa! Estou aqui há oito anos, e parece-me que há dez mil anos!…
A algumas almas que não ficam no purgatório propiamente dito. Assim, por exemplo, eu vos acompanho por toda parte, e quando repousais, eu sofro mais, pois fico no purgatório. Outras almas fazem ás vezes o seu purgatório nos lugares onde pecaram, ao pé dos santos altares, onde se encontra o Santíssimo Sacramento, mas não importa o lugar onde se encontram, porque levam com elas o sofrimento, embora sejam estes menos intensos do que no purgatório mesmo;
  • As mortes repentinas são uma justiça ou uma misericórdia de Deus?
Resposta: – Estas espécies de mortes ás vezes são justiça e outras misericórdia de Deus. Quando uma alma tem o temor de Deus e Deus sabe que ela está preparada para comparecer diante dele, para lhe poupar os horrores da angústia que poderia ter nos últimos momentos, Deus a retira deste mundo com uma morte repentina. Ás vezes também Deus toma estas almas por justiça. Não ficam de todo perdidas, mas sem os últimos sacramentos, ou recebendo-os ás pressas, sem estarem preparadas para a última viagem, seu purgatório é bem mais doloroso e se prolonga muito. Outros encheram a medida de seus crimes abafaram a voz de todas as graças divinas e Deus as tira da terra a fim de que não excitem mais a vingança divina.
  • Assim diz a alma no que se refere aos graus do Purgatório:
Eu queria dizer que há diferença de graus no purgatório. Assim, eu chamo o Grande Purgatório o lugar onde estão as almas mais culpadas, onde eu fiquei dois anos, sem poder dar nenhum sinal de meus tormentos, pois no ano em que eu comecei a me queixar que eu ainda estava no Grande Purgatório quando comecei a vos falar.
No segundo purgatório, que é sempre o purgatório, mas que, no entanto, é diferente do primeiro, sofre-se também, porém menos do que no primeiro purgatório. Finalmente, há um terceiro lugar que é o purgatório do desejo. Lá não há fogo. Lá estão as almas que não desejaram bastante o céu e que não amaram bastante a Deus neste mundo. Eu estou agora lá neste momento. E, nestes três purgatórios, há ainda graus. Á medida que uma alma se purifica, sofre menos, e já não sofre os mesmos tormentos. Tudo está em proporção ás faltas que devem expiar.
No Grande Purgatório, eu vos posso falar deles, pois eu passei por lá. No Grande Purgatório há diferentes graus. No mais profundo e baixo, no que mais se sofre, que é um inferno momentânio, lá estão os pecadores que cometeram enormes crimes durante a vida, e que a morte os surpreendeu neste estado sem que tivessem tempo de se penitenciarem. Salvaram-se por milagre, muitas vezes pelas orações dos parentes e de pessoas piedosas. Algumas vezes nem puderam se confessar, e o mundo os julgou condenados, mas o bom Deus, cuja misericórdia é infinita, lhes deu no momento da morte a contrição necessária para se salvarem, tendo em vista algumas ações boas que praticaram na vida. Para estas almas o purgatório é terrível! É um inferno, exceto isto, que no inferno se almadiçoa a Deus, enquanto que no purgatório O bendizem e agradecem por terem sido salvos. Logo em seguida, vêm as almas que, sem terem cometidos crimes, foram indiferentes para com Deus. Não cumpriram o dever pascal, e convertidas na hora da morte, nem puderam ás vezes comungar, e no purgatório se encontram em penitência da sua longa indiferença. Sofrem penas inauditas, abandonadas, sem orações, e se fazem orações por ela não as podem aproveitar.
Depois enfim há o purgatório das religiosas e dos religiosos tíbios, que se esqueceram dos seus deveres, indiferentes para com Jesus, padres, que não exerceram seu ministério com a reverência devida á Majestade Divina e não fizeram as almas que lhe foram confiadas amar bem a Deus.
Eu estou neste grau. No segundo purgatório se encontram as almas que morrem culpadas de pecados veniais não expiados antes da morte, ou então, em pecados mortais perdoados mas dos quais não satisfizeram inteiramente á Justiça Divina. Há também no purgatório diferentes graus, segundo o mérito das pessoas. Assim o purgatório das pessoas consagradas e que receberam maiores graças, é mais longo e mais penoso do que o das pessoas do mundo.
Finalmente, o purgatório do desejo, que se chama Átrio ou Vestíbulo do Céu. Poucas pessoas o evitam. Para o evitar é mister ter desejado ardentemente o Céu, e tendo em vista Deus, a presença e a visão de Deus. E é raro evitar, porque muitas pessoas, mesmo muito piedosas, têm medo de Deus e não desejam bastante o Céu com ardor. Este purgatório tem seu martírio bem doloroso como os outros. Estar privado da visita do bom Jesus, que sofrimento!
Não se admirem se o demônio e seus satélites têm algumas vezes conhecimento de coisas que se realizam no futuro. O Diabo é um espírito e, por conseguinte, tem mais astúcias e conhecimentos do qualquer outra pessoa na terra, á exceção dos santos, aos quais Deus ilumina com suas luzes. Ele o Diabo, procura rondar toda parte, procurando o mal. Ele vê o que se passa no mundo, e segundo a sua sagacidade, pode prever coisas que se vão realizar. Eis a única explicação. Desgraçados são aqueles que se entregam ao Demônio e o consultam! É um pecado que desagrada a Deus, e muito! ( Não está aí uma condenação do espiritismo, que muita vez é uma consulta ao Diabo? – Nota do tradutor)
  • Há muitos protestantes salvos?
Resposta: – Pela misericórdia de Deus, um certo número de protestantes se salva, mas o purgatório deles é longo e rigoroso. Eles não abusaram da graça é verdade, como muitos católicos, mas não tiveram as graças insígnes dos Sacramentos e outros socorros da verdadeira religião, o que faz com que a sua expiação se prolongue por muito tempo no purgatório.
No purgatório se ama?
Resposta: – Sim, mas é um amor de reparação, e si nós tivéssemos amado a Deus como deveríamos na terra, não seríamos tão numerosas e não haveria tantas almas no lugar da expiação!
  • Pode-se receber uma oração, um pensamento de um amigo defunto e lhe dar a conhecer a saudade que se têm dele?
Resposta: – No purgatório como no Céu, pode-se fazer chegar até aqui a lembrança e as saudades da terra, mas como vos disse, não são úteis ás almas do purgatório, porque elas sabem e conhecem as pessoas que se interessam por elas na terra. Deus permite algumas vezes que delas se possa receber algum conselho e alguma advertência.
  • As faltas são conhecidas no purgatório por todos como serão no dia do Juízo?
Resposta: – Nós não conhecemos no purgatório as faltas dos outros, exceto quando Deus o permite para certas almas, mas segundo seus desígnios, e isto é para muito poucas almas…

 

 

Segue abaixo o Download do Livro Completo:
https://virgemimaculada.files.wordpress.com/2010/12/manuscrito-do-purgatc3b3rio.pdf
 

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